O QUE É COOPERATIVISMO?
Cooperativismo é um movimento, filosofia de vida e modelo
socioeconômico capaz de unir desenvolvimento econômico e bem-estar
social. Seus referenciais fundamentais são: participação
democrática, solidariedade, independência e autonomia.
É o sistema fundamentado na reunião de pessoas e não no capital.
Visa às necessidades do grupo e não do lucro. Busca prosperidade
conjunta e não individual. Estas diferenças fazem do cooperativismo
a alternativa socioeconômica que leva ao sucesso com equilíbrio e
justiça entre os participantes.
Associado a valores universais, o cooperativismo se desenvolve
independentemente de território, língua, credo ou nacionalidade.
Fonte:
OCB
QUAL A LEGISLAÇÃO QUE REGULA O SETOR?
O cooperativismo brasileiro, a partir da criação da Organização das
Cooperativas Brasileiras (OCB), vem conquistando espaço no cenário
nacional também por meio de atuação junto ao poder Legislativo.
Sobretudo com o trabalho realizado com a Frente Parlamentar do
Cooperativismo (Frencoop). A cronologia que retrata este
desenvolvimento mesmo antes da existência da entidade de
representação é a seguinte:
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Constituição de 1891, Art. 72;
-
Decreto 979 / 1903;
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Decreto 1.637 / 1907;
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Decreto 22.239 / 1932;
-
Decreto 926 / 1938;
-
Decreto 1.836 / 1939;
-
Decreto 6.980 / 1941;
-
Decreto 5.154 / 1942;
-
Decreto 5.893 / 1943;
-
Decreto 6.274 / 1944;
-
Decreto 59 / 1966;
-
Decreto 60.597 / 1967;
-
Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, em vigor, que define a
Política Nacional de Cooperativismo, institui o regime jurídico das
sociedades cooperativas e dá outras providências;
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Constituição da República Federativa do Brasil (1988), e o Capítulo
1 – Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos – art. 5º, item
XVIII;
-
Medida Provisória nº 1.715, de 3 de setembro de 1998, criando o
Sescoop para viabilizar a Autogestão do Cooperativismo Brasileiro;
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Decreto 3.017, de 6 de abril de 1999, que aprova o Regimento do
Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop);
Fonte:
OCB
QUAIS SÃO OS PRINCÍPIOS COOPERATIVISTAS?
- Livre acesso e adesão voluntária;
- Controle, organização e gestão democrática;
- Participação econômica dos seus associados;
- Autonomia e independência;
- Educação;
- Cooperação entre cooperativas;
- Compromisso com a comunidade;
QUAIS OS PRINCIPAIS RAMOS DE COOPERATIVAS?
-
Agropecuário
-
Composto pelas cooperativas de produtores rurais ou
agropastoris e de pesca, cujos meios de produção pertençam ao
cooperado. É um dos ramos com maior número de cooperativas e
cooperados no Brasil. O leque de atividades econômicas
abrangidas por esse ramo é enorme e sua participação no PIB de
quase todos os países é significativa. Essas cooperativas
geralmente cuidam de toda a cadeia produtiva, desde o preparo
da terra até a industrialização e comercialização dos
produtos.
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Consumo
-
Composto pelas cooperativas dedicadas à compra em comum de
artigos de consumo para seus cooperados. A primeira
cooperativa do mundo era desse ramo e surgiu em Rochdale, na
Inglaterra, no ano de 1844. Também no Brasil esse é o ramo
mais antigo, cujo primeiro registro é de 1889, em Minas
Gerais, com o nome de: Sociedade Cooperativa Econômica dos
Funcionários Públicos de Ouro Preto. Durante muitas décadas
esse ramo ficou muito limitado a funcionários de empresas,
operando à prazo, com desconto na folha de pagamento. No
período altamente inflacionário essas cooperativas perderam
mercado para as grandes redes de supermercados e atualmente
estão se rearticulando como cooperativas abertas a qualquer
consumidor.
-
Crédito
-
Composto pelas cooperativas destinadas a promover a poupança e
financiar necessidades ou empreendimentos dos seus cooperados.
O Cooperativismo de Crédito é um dos ramos mais fortes em
diversos países desenvolvidos, como na França, na Alemanha e
no Canadá. No Brasil ele já estava bem estruturado desde o
início do Século XX, mas foi desarticulado e desmantelado pelo
Banco Central, mediante restrições de toda ordem. Na década de
80 o ramo começou a reagir e está ressurgindo com força total,
já com dois Bancos, o BANCOOB e o BANSICRED, e inúmeras
cooperativas de crédito urbano e rural, espalhadas por todo o
território nacional.
-
Educacional
-
Composto por cooperativas de professores, por cooperativas
de alunos de escola agrícola, por cooperativas de pais de
alunos e por cooperativas de atividades afins.
Esse é um ramo recente, criado em Itumbiara - GO em 1987.
No que se refere a cooperativas de pais de alunos, a
criação do Ramo Educacional é uma resposta à situação
caótica do ensino brasileiro. O ensino público deixa muito
a desejar quanto à qualidade e o particular se tornou
oneroso demais.
Em todos os Estados, as cooperativas educacionais estão
sendo a melhor solução para pais e alunos, pois se tornam
menos onerosas e realizam uma educação comprometida com o
desenvolvimento endógeno da comunidade, resgatando a
cidadania em plenitude.
-
Especial
-
Composto pelas cooperativas constituídas por pessoas que
precisam ser tuteladas. A Lei Nº 9.867, do dia 10 de novembro
de 1.999, criou a possibilidade de se constituírem
cooperativas “sociais” para a organização e gestão de serviços
sociossanitários e educativos, mediante atividades agrícolas,
industriais, comerciais e de serviços, contemplando as
seguintes pessoas: deficientes físicos, sensoriais, psíquicos
e mentais, dependentes de acompanhamento psiquiátrico
permanente, dependentes químicos, pessoas egressas de prisões,
os condenados a penas alternativas à detenção e os
adolescentes em idade adequada ao trabalho e situação familiar
difícil do ponto de vista econômico, social ou afetivo. Essas
cooperativas organizam o seu trabalho, especialmente no que
diz respeito às dificuldades gerais e individuais das pessoas
em desvantagem, e desenvolvem e executam programas especiais
de treinamento, com o objetivo de aumentar-lhes a
produtividade e a independência econômica e social. A condição
de pessoa em desvantagem deve ser atestada por documentação
proveniente de órgão da administração pública, ressalvando-se
o direito à privacidade. O estatuto da Cooperativa Social
poderá prever uma ou mais categorias de sócios voluntários,
que lhe prestem serviços gratuitamente, e não estejam
incluídos na definição de pessoas em desvantagem. Nesse ramo
também estão as cooperativas constituídas por pessoas de menor
idade ou por pessoas incapazes de assumir plenamente suas
responsabilidades como cidadão.
-
Habitacional
-
Composto pelas cooperativas destinadas à construção,
manutenção e administração de conjuntos habitacionais para seu
quadro social. As cooperativas deste tipo utilizam o
autofinanciamento ou as linhas de crédito oficiais para
produzir imóveis residenciais com preços abaixo do que se
pratica normalmente no mercado, conseguidos através de gestão
dos recursos com maior eficiência. O exemplo mais contundente
é o Projeto Águas Claras em Brasília, DF, onde a maioria dos
prédios está sendo construída pelos Sistema Cooperativista.
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Infra-estrutura
-
Antes denominado “Energia/Telecomunicação e Serviços”, o ramo
infra-estrutura é composto pelas cooperativas cuja finalidade
é atender direta e prioritariamente o próprio quadro social
com serviços de infra-estrutura. As cooperativas de
eletrificação rural, que são a maioria, aos poucos estão
deixando de ser meras repassadoras de energia, para serem
geradoras de energia. A característica principal desse ramo do
cooperativismo é a prestação de serviços de infra-estrutura
básica ao quadro social, para que ele possa desenvolver melhor
suas atividades profissionais. Nesse ramo estão incluídas as
cooperativas de limpeza pública, de segurança etc., somente
quando a comunidade se organiza numa cooperativa para cuidar
desses assuntos.
-
Mineral
-
Composto pelas cooperativas com a finalidade de pesquisar,
extrair, lavrar, industrializar, comercializar, importar e
exportar produtos minerais. É um ramo com potencial enorme,
principalmente com o respaldo da atual Constituição
Brasileira, mas que necessita de especial apoio para se
organizar. Os garimpeiros geralmente são pessoas que vêm de
diversas regiões, atraídas pela perspectiva de enriquecimento
rápido, que se aglomeram num local para extrair minérios, sem
experiência cooperativista. As cooperativas de garimpeiros
muitas vezes cuidam de diversos aspectos, como saúde,
alimentação, educação etc., além das atividades específicas do
ramo.
-
Produção
-
Composto pelas cooperativas dedicadas à produção de um ou mais
tipos de bens e mercadorias, sendo os meios de produção
propriedade coletiva, através da pessoa jurídica, e não
propriedade individual do cooperado. Para os empregados, cuja
empresa entra em falência, a cooperativa de produção
geralmente é a única alternativa para manter os postos de
trabalho. Em outros países esse ramo está bem desenvolvido,
como na Espanha (Mondragon). No Brasil, com a crise econômica
e financeira, em grande parte resultante da globalização
devastadora, muitas empresas não conseguem sobreviver. Cada
vez mais os empregados estão descobrindo as vantagens de
constituir o próprio negócio, deixando se ser assalariados
para tornar-se donos do seu próprio empreendimento – a
cooperativa.
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Saúde
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Composto pelas cooperativas que se dedicam à preservação e
recuperação da saúde humana. É um dos ramos que mais
rapidamente cresceram nos últimos anos, incluindo médicos,
dentistas, psicólogos e profissionais de outras atividades
afins. É interessante ressaltar que esse ramo surgiu no Brasil
e está se expandindo para outros países. Também se expandiu
para outras áreas, como a de crédito e de seguros. Ultimamente
os usuários de serviços de saúde também estão se reunindo em
cooperativas. Muitas cooperativas usam os serviços do ramo
saúde em convênios, cumprindo um dos princípios do sistema,
que é a intercooperação.
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Trabalho
-
Composto pelas cooperativas de trabalhadores de qualquer
categoria profissional, para prestar serviços como autônomos,
organizados num empreendimento próprio. Diante do surto de
desemprego, os trabalhadores não têm outra alternativa senão
partir para o trabalho clandestino ou então se organizar em
empreendimentos cooperativos. Além das enormes dificuldades
para conquistar um mercado cada vez mais competitivo, as
cooperativas do ramo Trabalho ainda arcam com uma tributação
descabida e uma legislação inadequada. Mesmo assim, esse ramo
se desenvolve em todos os Estados, pois se trata de um novo
estágio no desenvolvimento histórico do trabalho: primeiro o
trabalho era desorganizado, depois escravizado, atualmente
subordinado (ou ao Capital, ou ao Estado) e já está caminhando
para a plena autonomia, de forma organizada e solidária, que
são as cooperativas de trabalho.
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Turismo e Lazer
-
Criado pela AGO da OCB no dia 28 de abril/2000, é composto por
cooperativas que prestam serviços turísticos, artísticos, de
entretenimento, de esportes e de hotelaria, ou atendem direta
e prioritariamente o seu quadro social nessas áreas. Este ramo
está surgindo com boas perspectivas de crescimento, pois todos
os Estados Brasileiros têm potencial fantástico para o Turismo
Cooperativo, que visam, por um lado, organizar as comunidades
para disponibilizarem o seu potencial turístico, hospedando os
turistas e prestando-lhes toda ordem de serviços, e, por outro
lado, organizar os turistas para usufruírem desse novo
paradigma de turismo, mais barato, educativo e prazeroso.
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Transporte
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No Ramo Transporte estão as cooperativas que atuam no
transporte de cargas e de passageiros. Foi criado pela
Assembléia Geral da OCB no dia 30 de abril de 2002. É um ramo
recente e muito dinâmico, com boas perspectivas de
crescimento.
Fonte: Revista Gestão
Cooperativa